Tribuna Federativa

Caros amigos, queridos companheiros:
O Naturismo é hoje, nos nossos dias e certamente no
futuro, (como o foi no passado), um traço de união entre diferentes pessoas,
diferentes sexos (e opções sexuais), diferentes credos, raças, idades e
culturas regionais ou nacionais.
Um traço de união que se afirma, com respeito, pela
humanidade e pela verdade, sem hipocrisias, falsos valores, fobias ou pudores.
O Naturismo une, através da prática colectiva da nudez,
as mulheres e homens, adultos, jovens ou crianças, que se libertaram de tabús,
do sentido do “pecado original”, da “moral” secularmente imposta (e nunca
explicada), estranguladora, ambígua e contraditória em relação à nudez.
A nudez naturista é uma forma de estar liberta e
libertadora, assente no ser humano e na sua natureza física.
A nudez naturista constitui-se, assim, como uma forma
diferente e equilibrada de estar em sociedade, respeitando a integralidade do
Homem e de todo o ambiente que o rodeia, em especial o meio ambiente natural
com o qual estabelece, afinal, uma relação estreita e de compromisso para, de
forma equilibrada e saudável, retirar todas as vantagens sensoriais que essa
interligação lhe proporciona e que se
constitui numa harmoniosa relação propiciadora de bem estar e de felicidade.
O Naturismo, em particular o “naturismo organizado” em
torno de clubes e federações, vem fazendo um percurso difícil, tantas vezes mal
visto e incompreendido, injuriado e confundido, por uma sociedade onde
proliferam a moral castradora da liberdade e simultaneamente a “libertinagem”
redutora do ser humano a objecto consumista ou de prazer (aparente).
A Federação Portuguesa de Naturismo (e o CNC nela filiado),
vem constituindo uma forma associativa de todos os que acreditam no Naturismo
também como um movimento de produção de valores. Valores éticos que respeitam o
Homem como ser livre e integral, respeitador
da
sua natureza física, e dela, da sua dignidade.
Dignificar a Nudez (naturalmente naturista) é pois o slogan que, durante 25
anos, a FPN prosseguiu de forma acertada, mas algo silenciosa, fechada e
irregular.
Hoje, e no ano em que comemora um quarto de século, a FPN
deverá aparecer aos olhos da opinião pública de forma assumida, adulta,
convicta nos seus propósitos de Dignificar o Homem, Dignificando a sua Nudez.
A FPN deverá afirmar os seus valores de forma clara e
determinada, procurando a aceitação social que torne compreensível e respeitada
uma prática de vida cuja essência nasceu com o primeiro homem, continua em
todos os seres humanos que todos os dias nascem, e que só a castradora e/ou
oportunista, intimidatória e/ou exploradora civilização, impede a natural aceitação
e prática.
Cabe a todos os naturistas, de forma convicta,
empenharem-se na tarefa de divulgação da sua postura, livre mas solidária, ao
serviço do Homem, do seu bem estar, da sua dignidade.
O Naturismo deverá ser entendido e divulgado,
antes de mais, como “um novo sistema
de produção de valores”, como
referiu Marc Alain Descamps num artigo editado o ano passado na revista
da INF-Comunication da Federação Internacional e que o seu actual presidente
Wolfgang Weinreich, afirma “dirigido ao
Homem na sua totalidade – alma, espírito e corpo – preocupando-se não só com o
cuidado físico, mas igualmente com o desenvolvimento cultural, tendo como meta
um elevado nível de saúde psico-social”.
Sem exibicionismo, mas com determinação.
Laurindo Correia
Presidente
da FPN
FPN - 25 ANOS
DIGNIFICANDO A NUDEZ

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